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Devo confessar... Como realizadora, pesquisadora cinematográfica e apaixonada pela História do nosso país... Babei! Deliciei-me ao ver Arthur Fontes e seus episódios na série “Histórias do Brasil”, contar fatos acontecidos por outro prisma dentro de seus roteiros. Com olhar do simples brasileiro, idealizar uma reunião tão importante quanto a com Getúlio Vargas, onde nenhum de nós, ou qualquer outro cidadão, também simplório da época, não compareceu. Fiquei pasma ao ver o story board e as imagens digitalizadas, complexas e estudadas por Ricardo Nauemberg, em “Inventor de Sonhos” e me perguntei quando conseguirei ser tão organizada e caprichosa daquela forma.
Todos muito centrados na pesquisa de um Brasil que amadurecia com seus colonizados e colonizadores. Não um Brasil idealizado ou envelhecido em livros de História, mas altamente, tendo historiadores de renome, como consultores e estudiosos profundos. Tanto para a criação de olhares diferenciados, como na obra de Fontes, como realistas e verdadeiros como na obra de Nauenberg.
Dois realizadores com expressões diferentes, mas que carregam em suas vontades o cunho criativo diante da nossa História e o mais impressionante, sem deixar de lado a proporção educativa que suas obras alcançam. Pensei na função formadora de opinião que o cinema pode adquirir... Lembrei-me da primeira vez que vi “Ilha das Flores” de Jorge Furtado, eu tinha uns doze anos, choquei-me por sua astúcia e inteligência ao falar do lixo e do processo humano diante dele. Lembrei-me também do pior personagem da história mundial, Adolf Hitler, que compreendia que o cinema tinha o poder de mover massas através dos feitos de Leni Rienfesthal (apelidada como a cineasta do ditador). E por fim, recordei dos cineastas do cinema novo, Glauber Rocha e Paulo César Saraceni que levavam como suas verdades a arte cinematográfica quase como panfletos na mudança do pensamento de um povo que atravessava a ditadura. Emudeci pensando na proporção do cinema.
Como em duas horas, ou menos ou mais, imagens contam cobre nossas raízes, sobre nossos defeitos, virtudes humanas, nos transgridem ou afirmam, nos valorizam ou destroem? Que poder é esse midiático, imediato e milenar? Aos realizadores, peço, jamais deixem de fazer e pensem em seus propósitos, aos espectadores, digo, sejam críticos, pensem, não corram para a primeira pizzaria aberta e esqueçam o que viram, mesmo que seja um filme comercial, é um filme, demanda tempo e significado.
Marianna Rhosa








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